Os amigos que assistiram ao jogo na TV aberta muito provavelmente viram que eu estive presente no Estádio Olímpico Monumental, com direito a dancinha do João Sorrisão – bem como o xodó vascaíno, Bernardo da Colina.
A viagem a POA teve como desculpa principal o jogo, mas confesso que muito dificilmente viria caso não pudesse passar alguns dias. A última vez que estive nestas terras gaúchas tinha sido em janeiro de 2005, quando da realização do 3º fórum social mundial. Àquela época era governo do PT no RS, 3º ano de Lula à presidência e Hugo Chaves estava no auge da influência frente às organizações de esquerda na América Latina. A estiagem castigava não só os porto-alegrenses, mas como também todos nós que acampávamos no Parque Harmonia. Vivia um recém namoro, com o maior amor pelo qual já senti por uma garota e a empolgação com a faculdade (acabado de terminar o primeiro período) e com a luta por mudar o mundo me empolgavam muito mais do que o Vasco ou o espírito.
Qual não foi a surpresa, quando 6 anos depois volto a POA, e passo na Av. Borges de Medeiros por de baixo da passarela linda em que a passeata do fórum cruzou. Surpreendi-me por reconhecer aquele lugar que continua lindo e abandonado e por ter novamente sentido a empolgação daquela passeata – apesar dessa vez estar acompanhado de alguns poucos loucos cruz-maltinos, de noite, indo nos alcoolizar junto à uns tantos gremistas...
Para os apaixonados por futebol, ou simplesmente para aqueles que queiram um turismo mais completo, passar uma noite no Brechó do Futebol (www.brechodofutebol.com) é uma experiência reconfortante: as fotos nas paredes, os cachecóis (ou “manta”, como a gurizada diz por aqui) no teto, as duas televisões transmitindo esportes, o som tocando de NoFX à Rolling Stones, passando por Blues Etílicos e Guns’n Roses, sem esquecer do prato principal: petiscos e um cardápio enorme de cervejas nacionais e importadas que fogem ao comum brahma-skol-antártica. Infelizmente não consegui visitar o brechó propriamente dito, aonde se vendem as camisas de futebol.
Lembrei-me muito destas cervejas durante a partida. A esperança de poder saborear uma boa bebida durante um jogo parece que só irá se realizar durante a copa do mundo, quando o governo brasileiro será obrigado a romper sua própria lei e permitir a venda exclusiva de Haineken nos estádios.
A banda da Geral do Grêmio, barra-brava de nossos bravos aliados, também foi uma bela surpresa. Os trompetes e as murgas se combinam de forma harmoniosa a empolgação apaixonada das canções entoadas pela torcida durante os 105 minutos, ou mais! Por sinal, o Rio de Janeiro deveria copiar não as letras da banda, mas sua qualidade musical e, também, o fato de aqui se ter passe-livre nos ônibus em determinados dias do mês. Tivemos a sorte de estarmos presentes num dia de vacinação pública e, por isso, viajamos de graça. Justo não? Se a vacinação tem por objetivo atingir toda a população, nada melhor que garantir o direito de se ir e vir das pessoas. A saúde pública deve ser prioridade frente aos exorbitantes lucros das empresas de transporte coletivo...
O dia da partida chegou, após um sábado em que assistimos à um ensaio da banda da geral e uma noite na cidade baixa, e a expectativa era de vitória. O ataque gremista é muito fraco e seria a estréia do time campeão da Copa do Brasil no brasileirão. Éramos cerca de um milhar de vascaínos, mas a torcida gremista não era muito grande. Após um etílico convívio com a gurizada do sul, adentramos o estádio antes da chuva. Novamente Oyá nos presenteara com sua presença.
A partida em si não teve nada de mais, apenas a triste constatação de que o Vasco foi melhor quando Felipe saiu, e por incrível que pareça, passamos a jogar com 3 volantes e que Ricardo Gomes ainda demora muito tempo para mexer. Por mais que Diego Souza estivesse rendendo pouco quando saiu para a entrada de Bernardo, aos 28 min da etapa final, seria melhor que se tivesse retirado um volante e jogado com dois homens de marcação. A opção por 3 volantes libera mais os laterais, e tendo Alecsandro, depois Elton, como centro-avante, de fato as jogadas pelas pontas são uma das melhores jogadas. No entanto, a fragilidade do tricolor rio-grandense nos permitiria ter, por exemplo, Bernardo entrando aos 10min, quando Felipe saiu lesionado e Jéferson no lugar de Diego Souza nos 15 a 20 min finais. Outra monumental alegria foi ver Fernando Prass defendendo um pênalti! Esperanças de que seja a sorte de campeão!
No mais, o campeonato é longo, temos plenas condições de ganhar pontos fora de casa contra times como América-MG, Atlético-GO, Avaí, Atlético-PR, Bahia, Figueirense, além dos clássicos cariocas: botafogo e fluminense estão muito ruins e o Flamengo ainda não mostrou a que veio. Mas como “clássico é clássico e vice-versa”, não dá para contar com estes pontos, apesar de ter o CRVG como favorito...
Antes de retornar ainda foi possível adquirir algumas cuias de chimarrão para presentear as 4 mocinhas aniversariantes destas duas semanas e mais uma pro meu caboclo boiadeiro e a erva pro da mãe!
Repleto de boas lembranças de Porto Alegre, vamos seguir em busca dos 3 pontos em Goiáis!
Ah!!!! Estivemos juntos no FSM em 2005 e vc ainda dividiu tua barraca comigo!! Brigadão!!!!!
ResponderExcluirE ter visto vc na grrrrrrrrrobo fazendo a dancinha foi hilário!
um bjãoo