Duma estréia se espera sempre o nervosismo, a ansiedade, mas têm-se sempre a fé do sucesso. O que dizer dum reencontro? Este momento maravilhoso em que as almas se aproximam depois dum longo período de afastamento, alimentado pelas lembranças dum passado de glórias manchado por uma fase de seca na colheita.
O reencontro é algo tão especial, que Jesus se valeu duma parábola aonde o filho pródigo retorna à casa do pai. A religião é um conceito baseado no religar-se à Divindade de onde tudo emana.
Ora, que dizer dum reencontro de um, com milhões?! Os milhões de vascaínos, mesmo os que não o viram jogar, estavam ansiosos com o “retorno do jedi”, nosso messias e consolador, Juninho Pernambucano. De seus sentimentos, infelizmente, nada posso falar. Confesso-lhes, apenas, que assisti-lo novamente com a cruz-maltina no peito ainda não fechou muito bem na minha cabeça.
Poderia este encontro ser melhor do que com um gol no primeiro chute dele? E de falta? Justamente Ele, consagrado pelo golaço da classificação à final da Taça Libertadores da América de 1998 (ano de nosso centenário)!?! É claro que esperávamos a vitória. Mas o Timão que me perdoe, o que estava em jogo era a volta do reizinho, não os três pontos.
Cheguei a imaginar que Deus era muito bom para mim. Os trabalhos se encerraram a poucos minutos antes da bola voltar a rolar. Assisti a quase todos os 90 minutos, tendo escutado uns 15 min do segundo tempo pelo rádio apenas. Aos 2 minutos Juninho já mostrava ao Brasil que atleta sério se mantém em forma jogando em qualquer campo do mundo. Mas a triste realidade sempre nos derruba dos vôos de ilusão...
Nenhuma ilusão quanto ao reizinho. Ilusão em achar que o time disputaria o brasileiro. Desse jeito, de forma alguma! Três problemas que a diretoria se recusa a encarar, sendo que um poderia ser amenizado com uma das maiores revelações do futebol brasileiro que já faz parte do nosso elenco. (1) Marcio Careca, não marca nem ataca com eficiência; (2) Fagner, sobe bem ao ataque, mas cruza muito mal e tem andado perdido na marcação, dando “botes” no vácuo; (3) Diego Souza, herói contra o Havaí, um excelente jogador contra o Atlético-PR, entretanto um jogador a menos na maioria das partidas – e Bernardo, artilheiro do time na temporada e na competição, ainda tem que se ver banco dum “atleta” que se arrasta em campo, enquanto era pra ser o responsável pro prender a bola no ataque.
Revolta-me ver que Dinamite de nada fez para fortalecer o time para o campeonato brasileiro. E se não tivéssemos ganhado a Copa do Brasil? Em nenhum momento a diretoria se mexeu para contratar ninguém!
Ricardo Gomes escolheu uma tática ousada para escalar Juninho: meio de campo em forma de losango. Só erra em dois aspectos e num, não recebe opção devido ao elenco.
(a) Jogando com apenas um cabeça de área, dois meio campistas lentos (devido a suas idades) responsáveis pelo toque de bola e armador centralizado, é necessário que o ataque abra pelas o caminho, o que não tem ocorrido com Alecsandro preso dentro da área, como se o time fosse jogar no chuveirinho, ou na tática “pró-evolution soccer” de entrar na grande área e cruzar pra traz na chegada do armador ou do centro-avante. Tal tática nem poderia ser a dominante numa formação deste meio de campo devido a característica que os laterais recebem nesse caso. Se nosso camisa 10 estivesse rendendo, o 9 deveria ser deslocado para jogar mais “solto” enquanto esse chegaria com a bola de frente pra área, tendo a opção do Eder Luiz e do Alecsandro. Portanto, se Ricardo Gomes irá manter o losango, que escale Bernardo no lugar de Diego Souza.
(b) Como nem Felipe, nem Juninho, são propriamente de marcação, apesar de terem mostrado disposição em ajudar na defesa – principalmente o camisa 6 –, supõem-se que os laterais serão mais defensivos que ofensivos. E não digo a velha receita de quando um sobe o outro fica. Digo que eles não terão a obrigação de encostar na linha de fundo em todas as subidas. Digo que seu papel principal é proteger a lateral vascaína contra as subidas dos laterais adversários. Significa dizer que nunca subirão ao ataque e que nunca cruzarão a bola na área para a cabeçada do 9? Não. Significa que a disposição tática predominante na partida é de laterais defensivos, dois volantes de ligação, um armador centralizado e dois atacantes abertos na área. Acontece que as características de nossos laterais não são estas. Fagner já foi melhor apoiando o ataque. Desde seu longo afastamento não tem rendido tão bem. Já que a diretoria não irá contratar um legítimo lateral, que saiba meter uma bola na cabeça e saiba marcar, então a melhor opção seria o nosso queridinho Allan – o detalhe é que ele se ausentará do elenco por algumas rodadas devido a seleção sub-20. Já na ponta esquerda, nosso técnico acabou de mostrar inabilidade gerencial e perdemos Ramom. Não é um excelente cruzador, tão pouco defensor. Mas com certeza é muito melhor que Márcio Careca! Deste não tenho anda a falar. Simplesmente não deveria vestir a camisa do Vasco.
Portanto, devemos ter fé é no espírito guerreiro e vencedor do Juninho e na obviedade de que Bernardo deva entrar no lugar de Diego Souza, além de contar com o apoio da torcida vascaína que lotará São Januário contra o Inter para rever seu soberano! Ai se aproveita o embalo de uma grande vitória em casa e lota-se novamente o estádio para o novo jogo em casa contra o Atlético do Paraná! Feito isso, voltemos a sonhar com o Penta!
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